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Problemas de saúde mental são os mais comuns entre empregados da Caixa
10.10.2018

Transtornos psicológicos e emocionais são os mais comuns entre os empregados da Caixa. Sujeitos a sobrecarga e a um modelo de gestão que estimula o assédio, 33,1% dizem ter sofrido algum problema de saúde decorrente do trabalho nos últimos 12 meses. Entre os que ficaram doentes, 10,6% relatam depressão. Doenças associadas ao estresse e doenças psicológicas representam 60,5% dos casos. Nesta quarta-feira (10), Dia Mundial da Saúde Mental, decidimos perguntar à Caixa que medidas estão sendo tomadas para prevenir e tratar esse problema dentro do banco.

A discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho inclui inevitavelmente a gestão da empresa. A maneira como a direção do banco promove iniciativas para evitar ou estimular o adoecimento coletivo. A Caixa não tem feito a sua parte e segue negligenciando a situação nas unidades Brasil afora. Nos próximos dias, a Fenae entregará à presidência do banco os resultados da pesquisa Saúde do Trabalhador da Caixa, encomendada pela Federação, e um conjunto de propostas para melhorias das condições de saúde dos empregados.

“A Caixa precisa implementar uma política séria de saúde do trabalhador, em especial com relação à saúde mental. São milhares de pessoas que estão adoecendo e o banco negligencia isso. A situação é real, já comprovamos. Agora, temos propostas concretas que queremos apresentar para resolver de vez esse problema”, afirma a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

Ao todo, 86,5% dos empregados avaliam positivamente a relação com seus chefes imediatos, porém 27,2% reclamam de pressão excessiva por metas. Na pesquisa foram feitas perguntas sobre uma série de situações típicas de assédio moral na relação com a chefia direta, tais como demanda excessiva por trabalho, pressão, atribuição indevida de erros, ameaças, gritos, entre outras. Entre os entrevistados, 53,6% disseram ter passado por ao menos um desses episódios. Situações como essas também ocorrem com outros colegas, segundo relatam 81,3% dos entrevistados.

Entre os empregados que tiveram problemas de saúde relacionados ao trabalho nos últimos 12 meses, 53% precisaram recorrer a algum medicamento. Os remédios mais usados foram os antidepressivos e ansiolíticos (35,3%), anti-inflamatórios (14,3%) e analgésicos (7,6%).

O estudo da Fenae é inédito e revela o quanto o modelo de gestão do banco, a sobrecarga de trabalho e a ausência de uma política de saúde do trabalhador estão prejudicando a vida de milhares de pessoas e provocando um verdadeiro quadro de adoecimento crônico na categoria. A pesquisa ouviu dois mil empregados da Caixa entre os dias 2 e 30 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Sofrimento contínuo e suicídio

Os episódios de assédio moral costumam ser subnotificados e o sofrimento das pessoas permanece muitas vezes disfarçado pelo medo de perder a função, de sofrer outros tipos de represália ou mesmo pelo receio de se expor ou ser julgado pelos colegas. Só foram registrados junto ao departamento de Recursos Humanos em 3,1% dos casos.

A pesquisa também mostra que aproximadamente 6% dos empregados tiveram conhecimento de situações de assédio sexual. O Centro-Oeste se destaca como a região onde os empregados mais tiveram conhecimento desse tipo de violência na Caixa, com 10,7%. Em seguida, a região Nordeste (6,8%), Sudeste (5,4%), Norte (3,5%) e Sul (3,2%). O grau de conhecimento de episódios de suicídio também é maior no Centro-Oeste e nas áreas meio.

Muita gente também falou sobre suicídio. Entre os entrevistados, 46,9% tiveram conhecimento de algum episódio entre empregados da Caixa. Mais da metade (51,7%) dos entrevistados conhece colegas que passaram por sofrimento contínuo em virtude do trabalho.

Sobrecarga, estresse laboral e vida pessoal

Um dos principais motivos de reclamação é a falta de pessoal e o impacto dessa carência na rotina dos que estão trabalhando nas unidades da Caixa. Entre os entrevistados, 58% se dizem sobrecarregados em seu trabalho. Falta de pessoal (16,3%) e cobrança excessiva por metas (16%) são os principais motivos de insatisfação.

Aproximadamente 15% dos empregados costumam fazer horas extras com frequência, principalmente os mais jovens e os que trabalham em agências. A pesquisa elaborou um índice de estresse laboral que considera de 0 a 10 o nível de estresse dos empregados no ambiente de trabalho. O resultado mostra que 26,3% dos entrevistados apresentam um nível de estresse entre 7 e 10.

O grau de interferência negativa do trabalho na vida pessoal é classificado entre 7 e 10 para 27,1% dos entrevistados, o que significa que milhares de famílias são impactadas para além das paredes do banco.

O estudo foi apresentado ao Ministério Público do Trabalho, que no momento analisa os dados e avalia providências as serem tomadas. A Fenae também já forneceu o material à Comissão de Executiva de Empregados da Caixa (CEE/Caixa) para que o assunto seja pautado na mesa de negociação permanente.

Confira mais dados da pesquisa.

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